Consultório - Rega
 


Pergunta:
Como evitar perdas de água por escorrimento, encharcamento ou percolação?


Resposta: Deve ter-se presente a capacidade de infiltração do solo, e utilizar sistemas de rega que não superem os seguintes valores: solos arenosos - 12 a 25 mm/h, solos francos - 7 a 12 mm/h, solos argilosos - 4 a 7 mm/h; nos sitemas de aspersão cobertura total (permanentes ou temporários) devem utilizar-se pluviometrias baixas (<7 mm/h), com aspersores adequados, e com pressões de trabalho entre 2.5 e 4 kg/cm2 (2.5 a 4 bar); em solos com algum declive, e sempre que se justifique deve recorrer-se à sacha ou à abertura de pequenos covachos na entre-linha da cultura, com as alfaias apropriadas (abre-covachos); sempre que possível e tal justifique, deverão ser melhoradas as condições de drenagem interna do solo; na rega por gravidade, é fundamental o nivelamento da parcela que vai ser regada. - (António Carapau - DAI).


Pergunta:
Qual o volume total de água necessário para se atingir o máximo de produtividade na beterraba de outono?


Resposta: Admitindo uma sementeira em 1 de Outubro, e com a colheita em 1 de Agosto, a cultura necessita em média, desde Janeiro até finais de Julho, de 820 mm (isto é cerca de 8200 m3/ha); esta é a quantidade de água que a cultura deverá receber através da rega e da chuva, o consumo da beterraba nos últimos 3 meses do ciclo ronda os 65 % do consumo total; em solos aluvionares, com a camada freática superficial (0.8 a 1.4 m), a quantidade de água a fornecer às plantas poderá ser diminuída. - (António Carapau - DAI).


Pergunta:
Quando efectuar a primeira rega com a cultura da beterraba já em desenvolvimento?


Resposta: Em solos argilosos é necessário fornecer água à cultura assim que a água disponível no solo desça aos 30 % da sua capacidade de armazenamento; em solos arenosos é necessário regar assim que esse valor atinja os 70 %; a primeira rega é determinante para se conseguir uma boa produção, por isso é fundamental iniciar a rega assim que os níveis anteriores sejam atinjidos; como referência, a beterraba outonal deverá começar a ser regada em Janeiro se, nesse mês, a queda pluviométrica fôr inferior a 30 mm, ou em Fevereiro se nesse mês a precipitação fôr inferior a 60 mm. - (António Carapau - DAI).


Pergunta:
Quando efectuar a última rega na beterraba?


Resposta: Em média regar até 10 dias antes da colheita; dependendo da textura do solo: solos arenosos - 2 a 4 dias antes da coheita, solos francos - 8 a 10 dias antes da colheita, em solos pesados - 15 a 20 dias antes da colheita; em certas situações, há necessidade de efectuar regas ligeiras (5 a 10 mm) na véspera da colheita, a fim de facilitar esta operação. - (António Carapau - DAI).


Pergunta:
Que dotação de rega utilizar na beterraba de outono?


Resposta: A quantidade de água por cada rega é medida em m3/ha ou, no caso da rega por aspersão em mm (1 l/m2 = 1mm = 10 m3/ha; a dotação máxima de água por rega deverá ser: 40 mm em solos argilosos, 35 mm em solos francos e 30 mm em solos arenosos; a dotação óptima por rega ronda os 35 mm; regas excessivamente ligeiras (com dotação inferior a 5 mm), são pouco eficazes com temperaturas elevadas e ventos fortes; dotações excessivas (80-100 mm), sãomenos eficazes e podem provocar podridões radiculares; a dotação de rega em beterraba outonal varia entre 20 mm/semana (mês de Março) e 50 mm/semana (mês de Julho); sempre que possível, efectuar as regas durante a noite, especialmente nos meses de maior consumo (Junho e Julho) - maior eficiência e energia mais barata; em rega por aspersão, utilizar sistemas com pluviometrias baixas (< 7mm/hora), para evitar superar a capacidade de infiltração do solo; cada sistema de rega tem uma determinada eficiência. A quantidade de água a aplicar deverá, por isso, ser ligeiramente superior às necessidades que se pretendem cobrir: a eficiência média situa-se entre os 50-60 % na rega por gravidade, 80 % na rega por aspersão e 90 % na rega localizada. - (António Carapau - DAI).


Pergunta:
Que frequência ou intervalo de tempo utilizar entre regas na beterraba de outono?


Resposta: Devem evitar-se sempre situações de stress hídrico na cultura; deve fornecer-se semanalmente a quantidade de água consumida na semana anterior; para tal poderá contactar: os técnicos da DAI, efectuar o balanço hídrico da sua parcela, seguir o calendário de rega disponível no COTR ou seguir um calendário de rega, que caso não chova, poderá ser do tipo: 1 rega de 35 mm em Janeiro, 2 regas de 35 mm em Fevereiro, 3 regas de 35 mm em Março, 4 regas de 35 mm em Abril, 5 regas de 35 mm em Maio, 6 regas de 35 mm em Junho e 3 a 7 regas de 35 mm em Julho, dependendo da data de colheita;consoante o sistema de rega e o tipo de solo, assim poderá variar o intervalo entre regas, ou seja: na rega por gravidade - 8 a 15 dias, na rega por aspersão - 1 a 8 dias, na rega localizada - diária; em solos arenosos, a frequência de rega deve aumentar. - (António Carapau - DAI).


Pergunta:
Que sistema de rega utilizar na beterraba?


Resposta: De preferência utilizar rega por aspersão, através de: pivot ou lateral móvel (também conhecido por pivot linear), que possibilitam regas de alta frequência. Coberturas totais: permanentes (enterradas) com compassos de 18 m X 18 ou 15 m ou temporárias (à superfície), com compassos de 15 ou 12 m X 12 m. Aspersão móvel: sistemas semi-fixos, com mudança dos ramais e dos aspersores ou sistemas fixos, com mudança dos aspersores. Enroladores equipados com canhão ou, se possível, com barra de irrigação; Rega localizada através de sistemas gota-a-gota ou micro-aspersão; Rega de superfície ou por gravidade, utilizando o sistema de sulcos paralelos, de pequenas dimensões, abertos nas entre-linhas da cultura, distanciados entre si 1 metro - (António Carapau - DAI).


Pergunta:
São necessárias regas para a germinação e emergência da beterraba?


Resposta: Estas regas são indispensáveis (não se deve esperar pelo efeito da chuva; com o solo seco, após a sementeira, aplicar entre 20 a 25 mm em solos francos e de 30 a 35 mm em solos argilosos; após isso continuar com regas ligeiras (4-8 mm) até à emergência de todas as plantas. - (António Carapau - DAI).



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